Morte de reitor de universidade catarinense foi aberração, diz Lula
Cancellier foi alvo de desdobramento da Lava Jato e matou-se em 2017
Cancellier foi alvo de desdobramento da Lava Jato e matou-se em 2017
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira
(19) que a morte do então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, em 2017, foi uma aberração. Cancellier
cometeu suicídio após ser alvo na Operação Ouvidos Moucos, desdobramento
da Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto
desvio de recursos públicos em cursos de educação a distância.
“São cinco anos e quatro meses que esse homem se matou pela
pressão de uma política ignorante, de um promotor ignorante, de pessoas
insensatas que condenam as pessoas antes de investigar e julgar”, afirmou o
presidente.
Além de ser preso e afastado do cargo, após ser solto,
Cancellier foi proibido de entrar na instituição. No mesmo ano, a UFSC foi alvo
de outra operação, assim como outras universidades do país. Em 2018, a PF
encerrou o inquérito por falta de provas.
“Quero aproveitar esse momento, com atraso de cinco anos e
quatro meses, e dizer que pode ter morrido sua carne [em referência ao reitor
Cancellier], mas as suas ideias continuarão no meio de nós a cada momento que
pensarmos em educação, a cada momento que pensarmos na formação profissional e
intelectual do povo brasileiro”, disse Lula.
“Pode ficar certo que aqui tem muita gente disposta a dar
sequência ao trabalho que você fazia e as ideias [em] que você acreditava. Você
morreu, mas as suas ideias continuam vivas e nós havemos de recuperá-las e
trabalhar para que a gente nunca mais permita que aconteça o que aconteceu com
aquele reitor em Santa Catarina”, completou Lula.
Operação
Deflagrada em setembro de 2017, a Operação Ouvidos Moucos apurou suspeita de desvio de dinheiro de programas de ensino a distância a UFSC. A investigação resultou na prisão do então reitor, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, e de mais seis pessoas. Ele foi solto no dia seguinte, mas não pôde voltar a frequentar a universidade. Em outubro, o ex-reitor cometeu suicídio. Cancellier deixou uma carta criticando a forma como a investigação foi feita.
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